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A «Bula Ineffabilis Deus»

20 de Dezembro de 2010  |  Escrito por Carlos Esperança  |  Publicado em Vaticano  |  57 Comentários

Ocorreu no passado dia 8 deste mês de Dezembro o 156.º aniversário da definição dogmática da Imaculada Conceição. Cumprindo a obra de misericórdia «ensinar os ignorantes», deixo aqui no Diário Ateísta, para consumo dos devotos, uma oportuna referência à Bula de Pio IX que, em 8 de Dezembro de 1854, declarou solenemente, fazendo apelo à autoridade suprema do seu magistério:

«A doutrina segundo a qual a Bem-aventurada Virgem Maria, no primeiro instante da sua conceição, foi por especial privilégio de Deus Omnipotente, com vista aos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, preservada imune de toda a mácula do pecado original, é revelada por Deus e deve por isso ser acreditada por todos os fiéis, firmemente e com constância». (Bula Ineffabilis Deus — 08-12-1854).

Depois disso cessaram as discussões ginecológicas sobre a Virgem Maria.

 
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  • antoniofernando

    1- Estamos nas mesmas circunstâncias. Total equanimidade analítica e avaliadora,de parte a parte. Também eu, confesso, esperava de si muita mais cultura teológica e desenvoltura intelectual. Lamentável da sua parte o desconhecimento de uma questão tão basilar, no âmbito da dogmática católica, de que o Baptismo é sacramento essencial para a Salvação. E que aqueles que morrerem sem serem baptizados, só têm um caminho escatológico certo: o Inferno. O Limbo fica como mera hipótese infantil.

    2 -”O António escreve que a Igreja considera que só “somos filhos de Deus se formos baptizados”

    Escrevo e reafirmo:

    “Por isso, a Igreja e os pais privariam, a criança da graça inestimável de se tornar filho de Deus, se não lhe conferissem o Baptismo pouco depois do seu nascimento ”

    3- Dispenso também esse seu tom altaneiro, que até considero ofensivo, depois de, repetidamente,lhe ter dito que em boa honra rompi com a Igreja Católica:

    ” a Igreja estará sempre de portas abertas para si e para todos”

    Repito-lhe: poupe-me a esse tipo de discurso proselitista.

    E não se coloque nessa prosápia discursiva de quem não se revê na dogmática da Igreja Católica está de má-fé.

    Um pouco de Humildade para quem é adepto de uma igreja cristã que tanto apregoa essa virtude não lhe ficava nada mal…

  • antoniofernando

    ” uso de pena de morte como legítima defesa”

    ” Pena de morte” e ” legítima defesa” são conceitos completamente diferentes.

    Este é o ponto do Catecismo da ICAR que admite a pena de morte:

    “§2267 O ensino tradicional da Igreja não exclui, depois de com provadas cabalmente a identidade e a responsabilidade de culpado, o recurso à pena de morte, se essa for a única via praticável para defender eficazmente a vida humana contra o agressor injusto.

    Se os meios incruentos bastarem para defender as vidas humanas contra o agressor e para proteger a ordem pública e a segurança das pessoas, a autoridade se limitará a esses meios, porque correspondem melhor às condições concretas do bem comum e estão mais conformes à dignidade da pessoa humana.”

    Pena de morte é a sanção punitiva aplicada por um estado , que nada tem a ver com a legítima defesa dos cidadãos perante ameaças sérias à sua vida.

    Mas mais uma vez, a Igreja Católica vem confundir hipocritamente conceitos para tentar justificar o injustificável.

    Uma igreja que quisesse ser digna de Cristo deveria afirmar, de forma clara e insofismavelmente,que é totalmente contrária à pena de morte, seguindo o exemplo da Comunidade de Santo Egídio:

    http://www.santegidio.org/index.php?&idLng=1066

    Mas como há muitos países ditos cristãos que ainda aplicam a pena de morte, a Igreja Católica teve que arranjar mais um ” remendo” dogmático no princípio de que toda a vida é sagrada.

    Nunca nos meus piores pesadelos de criança admiti que alguma vez,em adulto, pudesse ver uma qualquer igreja cristã a aceitar a pena de morte.

    Uma total vergonha e que desonra a morte de Cristo, sentenciado à pena capital…

  • antoniofernando

    “A minha fé é a fé dos apóstolos (se conseguisse ver e ler também o veria). Diz que é “autonomamente” que interpreta textos que já nasceram dentro da Igreja (todos os dos NT), sem precisar de considerar a memória da Igreja, a sua tradição, as suas raízes. Atente na contradição.”

    MO

    Não há contradição nenhuma. Se o Evangelho não fosse susceptível de ser interpretado de formas diferentes não existiriam outras igrejas cristãs, como é o caso da Protestante ou da Ortodoxa, que possuem dogmáticas não coincidentes com a da ICAR. A Igreja Católica Apostólica Romana é apenas mais uma entre várias igrejas cristãs e a todos os cristãos é legítimo aderir às interpretações da Bíblia ou do Evangelho que entenderem mais correctas…

  • MO

    A Igreja já existia antes dos Evangelhos terem sido escritos. É por isso que eles por si não bastam, porque eles emergiram de uma comunidade unida que permanece até hoje. Quem decide o que é mais correcto na interpretação? Como o decide? Só tomando em conta a memória da Igreja, isto é, a sua tradição.

    Não há Igreja Protestantes, há comunidades eclesiásticas protestantes. Mas há Igreja Ortodoxa, que é apostólica e tem os mesmos sacramentos que a Católica. Depois de todas as declarações que esclareceram mal-entendidos, só há discordância entre a dogmática Católica e Ortodoxa num ponto: a primazia do Bispo de Roma.

    Pax et bonum

  • MO

    A Igreja já existia antes dos Evangelhos terem sido escritos. É por isso que eles por si não bastam, porque eles emergiram de uma comunidade unida que permanece até hoje. Quem decide o que é mais correcto na interpretação? Como o decide? Só tomando em conta a memória da Igreja, isto é, a sua tradição.

    Não há Igreja Protestantes, há comunidades eclesiásticas protestantes. Mas há Igreja Ortodoxa, que é apostólica e tem os mesmos sacramentos que a Católica. Depois de todas as declarações que esclareceram mal-entendidos, só há discordância entre a dogmática Católica e Ortodoxa num ponto: a primazia do Bispo de Roma.

    Pax et bonum

  • MO

    Podía repetir a pergunta sendo mais explícito: Donde tirou a ideia de que a Igreja defende que quem não for baptizado (formalmente) está destinado ao Inferno? É que insiste em definir as coisas por si, ignorando o sentido do baptismo (de renascimento, nascimento para uma nova vida, conversão) que pode são ser confirmado formalmente – mais uma vez, o “baptismo de desejo”. A minha mulher não é baptizada formalmente e é uma cristã exemplar. Não temo por ela.

    É como a questão do Pecado Original. O António (numa atitude muito protestante) acha que percebe melhor a doutrina do que a Igreja. Acha que tem a ver com responsabilidade pelos pecados dos nossos antepassados quando tem a ver com o seu efeito.

    Tenha um santo Natal.

    Pax et bonum

  • MO

    Já falámos sobre isto… “Pena de morte” e “legítima defesa” são conceitos diferentes, mas compatíveis. Demorei algum tempo a entender. (E não, a Igreja não sanciona pura e simplesmente a aplicação desta pena, apenas distingue um caso em que é moralmente aceitável aplicá-la.)

    As ordens Franciscanas têm estado sempre à frente na luta contra a pena de morte. Como faço parte de uma (secular, OFS), perguntei uma vez a um frade o porquê desta posição contida no Catecismo. Depois de me explicar que não tinha que concordar, porque não fazia parte do núcleo da fé e da moral cristãs, continuei sem perceber se aceitava a posição. Disse-me que sim e depois explicou-me. Fiquei convencido, mas não estava… porque nunca tinha considerado tal caso. O caso excepcional tem a ver com o dever no Estado em defender os seus cidadãos e em colocá-los fora de perigo: é o caso do assaltante que está disposto a matar reféns, no qual o Estado (através de um comandante) decide dar uma ordem a um atirador para o liquidar, condenando-o assim à morte.

    Pax et bonum

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