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Respeitar a fé

22 de Setembro de 2010  |  Escrito por Carlos Esperança  |  Publicado em Religiões  |  57 Comentários

A maior alfabetização, os avanços da ciência e da técnica, a progressiva secularização da sociedades e a conquista gradual de direitos e liberdades, vieram pôr em xeque as armas principais da evangelização religiosa – a prisão, a tortura, as perseguições e os autos de fé. Sobram o medo do inferno, o embuste dos milagres, a coacção psicológica e a protecção concordatária ou a promiscuidade com o poder, à ICAR, aos evangélicos e aos cristãos ortodoxos. E, claro, o poder totalitário e as práticas execráveis determinadas pelo Corão, aos muçulmanos.

Quando a violência religiosa está contida, surgem apelos ao respeito pela fé, como se nas sociedades democráticas e liberais alguém estivesse limitado na prática da oração, na frequência da Igreja, na degustação eucarística, nas passeatas piedosas a que chamam procissões ou nas novenas a pedir a interferência divina na pluviosidade. Acontece que, enquanto os governos laicos se distraem ou são cúmplices, nascem nichos com virgens nas esquinas, crescem capelas no alto dos montes, pululam crucifixos nos edifícios públicos e nos largos urbanos, crismam-se com nomes de santos os hospitais públicos e as ruas das cidades e cria-se um ambiente beato e clerical.

Ao apelar ao respeito pela fé não se pretende, apenas, a liberdade de culto, exige-se que não se desmascarem os milagres, não se investiguem os Evangelhos, não se duvide da existência de Deus ou da virgindade de Maria. Em nome do respeito pela fé, dificulta-se a divulgação da ciência e facilita-se a propaganda religiosa. A fé é o álibi da impunidade com que as Igrejas pregam a mentira, manipulam consciências, aterrorizam os crentes e fazem esportular o óbolo.

O respeito da fé é a defesa do direito ao culto, não o silêncio perante as mentiras pias, a conivência com as fraudes e a passividade com o proselitismo.

Respeitar a fé é relevar a superstição, tolerar as auto-flagelações, proteger a idas à bruxa e ao santuário, enfim, permitir o retorno à Idade Média a quem o faça de livre vontade, e exigir o respeito pelos direitos contidos na Declaração Universal dos Direitos do Homem, que o Papa considera de inspiração ateia.

Claro que a liberdade não é de criação divina. Nem a democracia um sonho eclesiástico.

Apostila – Respeitar a fé não é pactuar com o branqueamento de capitais, que o Estado italiano está a investigar no Banco do Vaticano, nem aceitar a sharia, que possibilita o casamento de meninas de nove anos, a lapidação de mulheres e a amputação de membros.

 
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  • Anónimo

    Caríssimo Zeca-portuga:As manifestações e críticas relativas ao papa não recaem no campo da crença, mas na promoção concreta de determinadas acções concretas exteriores à crença religiosa individual. Na nossa constituição estão claros os direitos de reunião e de manifestação que enquadram a crítica a estas posições, veja o artº 45.Não me interessa falar? Chegou a essa conclusão porque não mencionei esse ponto? Não acha que é evidente por si, bem como pode constituir também crime de destruição de propriedade? Encontra em Portugal acções do tipo que pede para imaginar- há muitos que imaginam muita coisa, mas isso não corresponde necessariamente à realidade…- sendo reivindicadas por indivíduos ou grupos de indivíduos com os fins que imaginou? Pois…Caro Zeca, sobre a liberdade de expressão não é preciso certamente uma revisão constitucional:”Artigo 37.ºLiberdade de expressão e informação 1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.3. As infracções cometidas no exercício destes direitos ficam submetidas aos princípios gerais de direito criminal ou do ilícito de mera ordenação social, sendo a sua apreciação respectivamente da competência dos tribunais judiciais ou de entidade administrativa independente, nos termos da lei.4. A todas as pessoas, singulares ou colectivas, é assegurado, em condições de igualdade e eficácia, o direito de resposta e de rectificação, bem como o direito a indemnização pelos danos sofridos.”Para terminar, claramente que não há sentimentos religiosos a proteger, mas há uma autodeterminação e liberdade de consciência a salvaguardar, sem falar do principio de igualdade e de não descriminação. Qualquer descrente pode não ter o sentimento religioso que refere, mas não será por essa ausência que será descriminado à luz da constituição. Sobre estes aspectos, veja os artigos 13º, 19º, 41º e 59º.

  • Molochbaal

    Marx

    “sei…. o velho cliche do comunista perseguidor da religiao… ai ai ai ai….
    bom.. se é assim… pq tem religioso em Cuba… Vietnam… China??”

    Se não fosses burro sabias que acabaste de citar alguns dos países onde actualmente existem mais ateus. Países que antes do comunismo não eram assim. Todos sabemos que nesses países houve campanhas contra a religião. Mas continua numa de hipocrisia que estou a gostar. Só provas que tenho razão. Entre um hipócrita ateu como tu e um hipócrita religioso como o zeca tuga venha o diabo e escolha.

    “ah… e o ke o mundo “civilizado” faz agora?? uma islamofobia extrema!! Como se todos os islamicos fossem a mesma coisa…”

    O que é que eu tenho a ver com isso ? Já aqui defendi muitas vezes o islamismo ao ponto de ser chamado de islamo-lover pelos islamófobos.

    “se for assim… ke tal se castrar todos os padres do mundo pra prevenir a pedofilia?? ”

    Não sei o que tem isso a ver com o que estamos a discutir. Mas acredito que seja uma tirada muito inteligente. Simplesmente a minha inteligência não deve chegar para tanto.

  • Molochbaal

    Concordo a 100% com o tom geral. Eu próprio sinto um calafrio quando penso num Giordano Bruno e sei perfeitamente que me esperava um destino semelhante às mãos dos nossos “amorosos” amiguinhos crentes, caso não tivessem perdido o poder político.

    Mas existem duas condicionantes.

    Em primeiro lugar, nem todos os crentes são assim. Existem crentes verdadeiramente humanos e até pacifistas.

    Por outro lado, mesmo entre os que não são grande coisa, se não foram eles quem pessoalmente perseguiu e se não incitam especialmente ao ódio como o zequinha, não temos o direito de nos portarmos com eles da mesma maneira que nos queixamos de que eles no trataram a nós.

    Porque senão onde está a diferença ? Assim não nos poderíamos queixar porque simplesmente teríamos tido aquilo que merecíamos. Afinal, até os cristãos podem dizer que foram eles que começaram a ser perseguidos, pelos pagãos, judeus, e espirítos livres que encaravam o cristianismo como uma ameaça na antiguidade. Grande parte dos primeiros santos cristãos foram mortos pelos seus opositores nos tempos em que não faziam mal a uma mosca.

    Então também eles estariam perfeitamente justificados para os massacres que fizeram na idade média. Não podemos ter dois pesos e duas medidas consoante os nossos interesses.

  • Pedro Mar

    Engraçado, a lista de maiores assassinos da história da humanidade, deu-se precisamente no inicio da secularização. O séc XX
    De stalin, o maior de todos. Ateu convicto.
    A pol pot. O maior em percentagem nacional.
    A mao tze tung. O tal da revolução cultural, também para acabar com a religião lá dos chineses.
    A hitler, sem duvida ateu ou pagão. Quero lá saber que tivesse sido baptizado. Aqui, uma também se queixa que sofreu mto por ter sido baptizada com dias (ehe, sofreu por levar agua, ehe)
    A ceausescu, ateu convito, mais a mulher.
    E tantos outros.
    Mas continuam a negar evidencias, o que é irracional, e a dizer que não eram ateus, mas comunistas, e outras istas.
    Eram ateus. Ponto final. Eram ateus, pronto. E os regimes ateus
    Como o actual Grande Lider, que é o maior assassino em série, e que se considera até deus.

  • Pedro Mar

    Andreia_i_s
    Ao menos tem que lhes diga alguma coisa. Já os ateus, nao têm nada.
    esta gente, não tem limites. Morais, éticos, nada.
    Quem impede um ateu de ser como stalin ? Nada
    Ou mao tze ? Nada
    Ou como Pol Pot, ou o querido lider ? Nada

    Acertou, Andreia. O problema é esse mesmo. Ateus não têm normas de condutas nenhumas. Nem morais, nem nada.
    Ao menos, os cristãos, sempre tem os dez mandamentos. Mesmo fazendo burrada volta e meia, não se compara aos milhões, sim milhões, de mortos dos ateus, sem ninguém a lhes chamar à atenção.

  • Rew

    Qual o problema de chamar “rebanho” ?
    Isso tem mau nome , devido precisamente a esse anti-cristianismo.
    Já os ateus, tem “seguidores”, como os exercitos desse horrivel que era o trostky. Comandante das forças de Stalin.
    Depois zangaram-se, que eram amigos de longa data

  • Molochbaal

    Tens toda a razão em tudo excepto quando começas a dizer que o Hitler era ateu. Isso ou dizer que era igual se fosse pagão quando o paganismo, sendo uma religião, é o oposto do ateísmo.

    De qualquer maneira está provado que aesmagadora maioria doa nazis eram bons cristãos, pelo que, ao ires por aí, borras a pintura toda e começas a entrar na vossa habitual hipocrisia. És igualzinho aos ateus fanáticos que não reconhecem as perseguições de certos regimes ateus contra a religião.

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