Diario Ateista

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A religião e os transplantes

20 de Agosto de 2010  |  Escrito por Carlos Esperança  |  Publicado em Religiões  |  60 Comentários

Há 56 anos um cirurgião americano, Joseph Murrey, realizou o primeiro transplante humano – um rim doado por um irmão gémeo a outro que estava a morrer de doença renal. A generosidade fraternal foi compensada com mais de 8 anos de vida do irmão transplantado que constituiu família e gerou duas filhas.

Os crentes mais devotos de então consideraram que se tratou de uma profanação do corpo e que os médicos interferiram numa prerrogativa de Deus. Nesse dia os homens deram mais um pequeno passo para a sua emancipação e Deus um enorme trambolhão para o seu descrédito.

O êxito da operação foi também uma vitória sobre a omnipotência e a omnisciência divina cuja credibilidade sofreu um rude golpe. E, a partir daí, milhares e milhares de vidas puderam ser prolongadas graças à ciência.

Para os que acreditam na vida eterna e na ressurreição da carne, deve perturbar-lhes as meninges, no caso de as terem, o que acontecerá no vale de Josafat (entre Jerusalém e o monte das Oliveiras), no dia do Juízo Final. O Deus deles, cruel e medonho, lá estará a julgar os vivos e os mortos, perante uma enorme confusão em que aos problemas logísticos se junta a berraria de quem pede a devolução do fígado,  dos milhares que reclamam os rins próprios, daqueles que exigem de volta o coração ou procuram o esqueleto dividido por centenas de próteses após o acidente rodoviário.

Deus começa a ter problemas complicados. O melhor é desistir dessa ideia maluca da ressurreição e manter-se na clandestinidade a que se remeteu após o género humano ter decidido pensar.

 
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  • Confrariaalfarroba

    oh zequinha!…
    vê se atinas, meu!?…
    já experimentaste ir à praia?… apanhar solinho?…
    dizem que faz bem.
    e umas fériazitas longe desta “corja”?…
    na volta e na calma idealizavas um blogue só para ti e divertias-te bué!…
    mas se a vida não dá para a praia…
    dará para um tintol. também é fixe.
    experimenta, meu!…
    uma semanita de férias.
    claro que também dá para ir o teu confessor. até dava jeito. dava-te conselhos etc & tal.
    eu cá se fosse a ti, era o que fazia.
    é que esta vida de comentador no campo inimigo até te pode fazer mal…
    e o pessoal já gosta de ti, trocamos uns mimos, chamamos-te joãoc para te irritar… mas tudo na boa!
    “tás” a ver?
    olha q’ainda te dá uma coisinha má… e não há “senhora” que te valha.
    na volta e como sou bom rapaz, ofereço-te um copo do meu tinto algarvio se resolveres ir à praia lá para os meus lados.
    mas se não quiseres não vás. tudo na boa…
    bem vou dar um g’anda mergulho e amanhã se verá o que decidiste.
    que deus te acompanhe
    e a virgem te aconselhe

  • http://circoluso.blogspot.com Zeca Portuga

    ”Pelo seu argumento, creio que está a confundir ‘sofrimento’ com ‘privação’.”
    Não: Vossemecê é que está a leste a realidade.
    Eu pratiquei durante muitos anos um desporto que é dos mais exigente em cultura física (esta massa muscular toda não caiu do céu, apesar de eu ser crente) os treinos implicavam uma sequencias penosa de sacrifícios, suar muito, dores mesmo, sofrimento….

    Quanto á sua explanação sobre a Sida, e aquilo que cita “Por exemplo, fica aqui reproduzida uma opinião completamente diferente da sua de um católico cristão voluntário de Médicos do Mundo

    Vossemecê mesmo deu a resposta:

    enfim, cada um pode pensar o que quiser, mas isso não implica que o seu pensamento corresponda à realidade, ou sequer que faça a devida diferença nessa mesma realidade que se pretende melhorar….

  • Zeca-Portuga

    Tem uma imagem miserabilista do ser humano, e um medo patológico de Deus

    De Deus não tenho medo absolutamente nenhum, tal como os meus amigos não têm medo de mim, nem tenho medo dos meus amigos e familiares.

    Já quanto a imagem do Homem, digo que não sou miserabilista mas realista.
    Tenho peregrinando muito pelo mundo e tenho do Homem uma opinião diferente de muitas pessoas.
    Para mim o Homem é um animal perigosíssimo. O que o torna contido nos actos e neutralizada essa perigosidade é uma fina camada de verniz cultural/civilizacional. Por isso mesmo acho que o ateísmos deveria ser erradicado da Terra, pois “prega a boa-nova” do fim dessa cultura e da civilização que mantêm o Homem no seu lugar.
    Se todos fossemos ateístas o mundo seria uma selva em que cada um agia segundo o que lhe dava na cabeça.
    Os disfuncionais ateístas, do meu ponto de vista, são perigosíssimos, pois desprezam e tentam acabar com a película cultural que os “deveria balizar”, que neles já não existe ou está muito enfraquecida.
    Por isso vemos, neste blog, gente com um comportamento de extrema agressividade, violentíssimos para com os crentes, extremamente provocadores e muito mal intencionados, que pretendem gerar confusão e guerra.

    A grande maioria não são ateus, nem o seu comportamento anda tem a ver com o facto de não acreditarem em Deuses – são simplesmente más pessoas, gente muito má índole, agressivos, terroristas, sanguinários que, sedentos de maldade e a transbordar de ódio, dizem-se ateístas para terem uma justificação para os seus actos disfuncionais e selvagens.

    Poucos lugares no mundo são tão perigosos e agressivos como este blog, e poucas pessoas são tão perigosas, agressivas, delinquentes e pérfidas como os estes ateístas (apenas com paralelo em alguns bairros de latas do “sul”). Basta ver a forma como ofendem, insultam e agridem pessoas que nunca lhes fizeram mal, nem sequer os conhecem.

    Se Deus não pusesse um travão ao Homem, obrigando-o a lutar pela sobrevivência, toda a sua força, capacidade cientifica e investigação seria canalizada para a maldade e para tentar subjugar o vizinho. O mundo desaparecia rapidamente.

  • Anónimo

    Caríssimo Zeca Portuga:

    O que escreve não desvaloriza a confusão que fez entre ‘sofrimento’ e ‘privação’ quando escreveu que tudo de um modo geral tem um preço, e avançou com os seguintes exemplos: “a saúde, o desporto, a profissão, a carreira, o estudo, etc.”.

    Mantendo sempre presente o que escrevi, que cada um tem a sua opinião, a citação que fiz tinha como objectivo demonstrar-lhe um exemplo da diversidade de posições/opiniões de crentes da sua Igreja. Eu também tenho a minha, e se tiver de avaliar quem tem uma posição mais adequada com a realidade, e em particular o assunto que se discute em relação à propagação da SIDA entre a posição da Igreja, a sua opinião ou a opinião do estagiário que citei, inclino-me para o último. Passo a explicar, o Pedro Perdigão não deixa de ter presente a leitura das relações ideais da Igreja Católica, mas compreende que da idealidade à realidade vai um passo tremendo, e nesta matéria o que acontece entretanto é a propagação de um vírus mortífero, do sofrimento que inflige e as eventuais mortes, e contra isto Pedro compreende que não é pela orientação das palavras que a propagação do vírus vai abrandar, mas sim através de relações sexuais tendencialmente mais seguras, com protecção entre as partes. O Zeca Portuga sabe certamente que a SIDA não se propaga apenas pelo acto sexual, existem diversas formas, e para essas formas há cuidados higiénicos e procedimentos médicos para evitar contágios, no que toca ao acto sexual é o preservativo que faz a diferença na realidade que pretendemos melhorar…

  • http://circoluso.blogspot.com Zeca-portuga

    Visto que faz uma acusação com base aleatória e sem apresentar fundamento, peço-lhe que substancie a sua acusação, para você não passar por “imbecil, hipócrita, palerma e aldrabão. Ok?”

    Eu não fiz nenhuma acusação.
    Disse, e mantenho, que vossemecê acha que o (agora churrasco) Saramago deve ser interpretado num contexto próprio em que a conjuntura permita situara e interpretar correctamente um escrito dele.
    EU CONCORDO!

    Mas, o que eu digo é que se vossemecê acha incorrecto que se interprete livremente Saramago, deve ter o mesmo tipo de comportamento e condescendência quando se fala da interpretação da Bíblia.
    Coisa que nem sempre tenho visto, mesmo nas citações de fontes que faz.

    Daí que lhe diga: Eu concordo e aceito a sua observação sobre Saramago, mas, doravante, quando o não fizer com a Bíblia reservo-me no direito de o ter como “um”imbecil, hipócrita, palerma e aldrabão”.

  • Anónimo

    Caríssimo Zeca-portuga:

    O que apontei em relação às referências que têm sido feitas à posição de Saramago em vários espaços, que este não seria totalmente ateu e que procurava incessantemente um deus, é que devem ser revistas em relação ao que dele conhecemos. É pública a sua posição e as suas considerações relativamente às matérias de fé e religião, e descontextualizar frases que foram utilizadas com ironia ou apontar que os seus escritos tinham como fim último o alcance de um deus é contrariar o que dele conhecemos, o que ele expressou várias vezes e o sentido de ironia que muitas vezes carregava em determinadas afirmações.

    Escrito isto, quando escrevi que você fez uma acusação aleatória e sem apresentar fundamento em relação a posições que tomei perante a bíblia ou a figura que reconhece como Cristo, torno a escrever, apresente o(s) caso(s) a que se reporta para eu ter direito ao contraditório na sua acusação.

    Para que tenha a noção, qualquer ressalva que faça, neste caso em relação a determinada passagem bíblica ou qualquer análise histórica sobre o processo de definição dos textos e da construção da divindade de Jesus, essas leituras não são feitas às “escuras” e “escondidas” do alcance dos restantes, pois procuro citar as devidas referências que substanciam as afirmações que faça. Nos meus comentários preocupo-me em colocar as devidas fontes, caso não consiga imediatamente e alguém me pergunte qual o fundamento das mesmas, esforço-me para responder e disponibilizar a fonte dessas informações rapidamente. Não creio que isso seja reprovável ou sinal de imbecilidade, hipocrisia, palermice ou mesmo aldrabice…

    Se tiver a amabilidade, por favor refira o(s) comportamento(s) que achou menos próprios da minha pessoa, para assim ter a oportunidade de me defender devidamente.

  • Anónimo

    zequinha
    esse teu desporto não terá nada a ver com chibatadas nas costas e outros desportos semelhantes?

  • http://circoluso.blogspot.com Zeca Portuga

    sabe certamente que a SIDA não se propaga apenas pelo acto sexual….

    Exactamente por esse motivo é excessiva e fixação no preservativo, até porque fora do acto sexual ele é completamente ineficaz.
    A Igreja aconselha um método que é infalível e completamente eficaz naquilo que o preservativo pode não ser.

    Ou seja: o preservativo não resolve grande coisa e está fora de questão para além dos acto sexual.
    Nos lugares onde se fez a distribuição maciça de preservativos, sem qualquer intervenção especializada, o efeito do preservativo foi praticamente nulo ou até perverso. portanto, o problema está nos comportamentos e não no preservativo,

    … existem diversas formas, e para essas formas há higiénicos e procedimentos médicos para evitar contágios

    O preservativo não é totalmente seguro e gera uma falsa ideia de segurança que, sem os tais cuidados de higiene, de comportamentais, etc, pode torná-lo perigoso.

    Poucas entidades têm feito tanto pela saúde nos campos da higiene, prevenção primária e cuidados médicos, como a Igreja tem feito.

    As pessoas têm que ser responsabilizadas pelos seus actos. Um infectado sabe que não pode ter relações, tem que aceitar isso e não pode pôr as outras pessoas em perigo.

    De todos os métodos de prevenção de transmissão sexual da Sida, existe algum que seja mais eficaz do que o que a Igreja propõem?

  • Anónimo

    Caríssimo Zeca Portuga:

    O uso do preservativo serve apenas para o acto sexual, nada mais, logo essa ideia que é completamente ineficaz fora do sexo é ridícula. O que a Igreja tem feito oficialmente é reprovar o uso do preservativo em detrimento do método ideal que propõe. Não estou a insinuar que a Igreja não possa/deva manter a sua mensagem, mas sim que tenha atenção que da idealidade à realidade vai um “passo de gigante”. Enquanto a Igreja propõe o seu modelo, para bem dos crentes que se orientam pelas suas proibições mas que cedem aos “pecados carnais”, deveria também chamar a atenção para o uso do preservativo ou abster-se de prescrever uma possível sentença de sofrimento e morte. Pelo que sei, as organizações de saúde que distribuem preservativos fazem também a divulgação do seu uso, mas o seu insucesso terá que ser revisto numa série de resistências, isto é, se o preservativo é para ser distribuído em populações que não têm prática no uso destes elementos, e estas questões são mal-interpretadas por um enquadramento erróneo de todos estes problemas, que tornam os assuntos tabus, é perfeitamente lógico que os resultados estarão aquém mesmo para as melhores iniciativas no terreno…

    O preservativo é mais seguro do que não ter preservativo, e isto é certo, é uma verdade incontornável. Sempre que usei preservativo nas minhas relações nunca tive qualquer problema, nunca apanhei ou transmiti nenhuma doença sexualmente transmissível. Logo eu, como outros, podemos testemunhar que o problema está em determinado tipo de comportamentos que enformam as recusas recorrentes ao recurso do preservativo quando é a altura para o usar, só no acto sexual, que é para o que serve e é feito, nada mais.

    Quando escreveu que as pessoas têm de ser responsabilizadas, e se têm SIDA não devem ter relações, espantei-me pela quantidade de situações de contágio que não mencionou no seu comentário, muito menos atendendo aos recursos existentes em muitos espaços em África e a percepção de muitos sobre esta matéria devido à desinformação alimentada por vários responsáveis religiosos que, por pouco, quase dizem que o uso do preservativo é pecado…

    De todos os métodos de prevenção de transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, o preservativo é o mais eficaz, porque simplesmente actua na realidade, e é essa a razão do seu sucesso e pertinência.

  • joaosilva

    Conselho de um camarada ateu:

    Nunca discutas com um imbecil. Ele vai ignorar todos os teus argumentos, agir como se não tivesses dito nada, ou como se as tuas palavras não carregassem peso, e voltar a repetir tudo o que já disse antes, até te cansares de repetir a mesma coisa a alguém que tem os olhos e ouvidos bem fechados.

    Este senhor Zeca é um exemplo perfeito.

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