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Faltar à verdade

21 de Junho de 2010  |  Escrito por Ricardo Alves  |  Publicado em Laicidade  |  5 Comentários

O Policarpo saiu-se com esta:
  • «A colocação de crucifixos nas salas de aulas das escolas do país, “acabou por ser espontânea e por ser sempre um pouco ao nível da decisão da comunidade local”». (Público)
Acontece que ele não deve ignorar que está a apelidar de «espontâneo» um acto decidido em lei por um Estado autoritário:
  • «Em todas as escolas públicas do ensino primário infantil e elementar existirá, por detrás e acima da cadeira do professor, um crucifixo, como símbolo da educação cristã determinada pela Constituição.
    O crucifixo será adquirido e colocado pela forma que o Governo, pelo Ministério da Educação Nacional, determinar.
    » (Lei nº 1:941, de 1936; ver a «Base XIII»)

A isto, chamo faltar à verdade (porque hoje estou bem disposto).

Outro aspecto que merece ser mencionado: Policarpo critica o aspecto individual da liberdade de religião, defendendo que «a colocação de crucifixos nas escolas deve respeitar a vontade das comunidades» (RR), e apela a que «as autoridades não caiam em exageros» e que «por causa de uma pessoa [se faça] um processo que vai até ao Parlamento Europeu». Duas correcções: o caso Lautsi não foi iniciativa do Estado, mas de cidadãos que contrariaram a inércia do Estado italiano; e creio que Policarpo queria aludir ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Ponto de ordem: a liberdade é sempre individual. E só vale a pena se for para ir contra a «maioria» e a «tradição» da comunidade. Para seguir com a maioria e com a tradição, a liberdade não faz falta.
[Publicado originalmente no Esquerda Republicana.]
 
  • http://anti-ateismo.blogspot.com hh

    As escolas dos anos 70 e 80 também tinham crucifixos e eram lá colocados pelos professores e pelos pais.

    Ainda este ano visitei duas escolas (uma no distrito de Leiria e outra no de Vila Real) que tinham, e têm um crucifixo na sala de aula. Um encarregado de educação, inquirido por mim disse uma coisa espantosa: “o crucifixo está ali e vai continuar porque os inquilinos querem e o patrão pode mandar no edicifio mas quem gere o recheio somos nós”.
    Nem esbocei uma resposta. O cavaleiro tinha razão e contra isso os ateus não podem fazer nada.

    Se não fosse a “cabardolas brandeza” que caracteriza o laxismo luso (deixa p'raí… se não me obrigarem, tanto me faz…), a estrumeira ideológica que está subjacente a este ateismo que representa um perigo muito maior para o mundo do que a terceira guerra mundial.

  • JoaoC.

    Na minha zona, no norte, a maior parte dos funcionários recusam a tirar os crucifixos. O que mais achei piada foi a uma ex-funcionária, com os seus 80 e tal anos que se virou para o director (quando faziam os arranjos de Natal o director pediu à idosa para tirar a Cruz, porque “o Natal não é mais uma festa exclusivamente cristã”, uma vez que nem presépio quis fazer, apenas por a árvore) e disse “Ninguém tira isso daí, primeiro porque a Cruz está muito alta e eu não chego lá. Segundo porque ela já cá estava antes de mim e, portanto, antes de qualquer pessoa que trabalha aqui. Se já cá estava, não sou eu nem você que a vou tirar. Vem-me dizer para tirar a cruz dali? Não tiro, desculpe mas não tiro. Se quiser fazer essa afronta a Nosso Senhor, busque uma escada e tire-o você.”

    O certo é que a Cruz permanece lá. E o director já é outro. LOL.

    Assim como a Igreja permanecerá para sempre…e o ateísmo (bem como as restantes piores pragas da humanidade:marxismo, comunismo, socialismo e etc…) tem os dias contados. Por muito que não queiram admitir, a sua insignificância frustrante fala por si:)

  • antoniofernando

    Nutro simpatia por José Policarpo. É um homem de trato afável, simpático, de mente evoluída e bem intencionado. Se o Ricardo Alves soubesse o que dizem dele nos meios católicos ultra-montanos….” modernista”, ” progressista”, ” herege” e etc e tal..É uma pessoa moderada e o que ele disse na notícia que transcreve não desmerece a opinião que tenho dele.Quanto à lei 1.941, se ainda está em vigor, revogue-se e cumpra a lei revogatória.O Cristianismo não carece de proselitismos nem de invadir espaços escolares. Nem vai deixar de subsistir como herança histórica e cultural por causa da acentuação divisória que a laicidade impõe…

  • Carlos Esperança

    António Fernando:

    A lei já não está em vigor. Basta o carácter laico da CRP para a tornar inconstitucional.

  • pedro

    -|- -|-
    M MA

    JoaoC retirando os cruxifixos a população fica mais atacada.

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