Diario Ateista

  • Home
  • Contactar
  • AAP
  • #ateismo
  • Fórum

O que eu penso da homilia de Natal do Patriarca

31 de Dezembro de 2009  |  Escrito por Carlos Esperança  |  Publicado em Não categorizado  |  51 Comentários

A escalada da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) contra as liberdades entre as quais se conta o direito à crença (a qualquer crença), à descrença e mesmo à anti-crença é uma evidência, enquanto o ateísmo defende a liberdade religiosa na qual se inclui o direito à descrença.

Recordo que em 2008, no dia 13 de Maio, o senhor cardeal Saraiva Martins, então angariador de mila-gres e criador de beatos e santos, presidiu em Fátima à «peregrinação contra o ateísmo na Europa». Podia ter sido a favor da fé mas entendeu a ICAR, no seu fervor belicista, dedicar o evento «contra o ateísmo» e o Sr. Cardeal considerou o ateísmo o «maior drama da humanidade», esquecendo a fome, as doenças, as guerras, as religiões e o terrorismo religioso, por exemplo.

A Igreja católica só aceitou a liberdade religiosa no Concílio Vaticano II mas, apesar de ser recente a conformação com um direito inalienável, julgava que já o tinha assimilado na sua praxis. Pelo contrário, a convivência com o pluralismo e as liberdades individuais parece ser uma dificuldade inultrapassável para a ICAR e para os seus prelados.

Em 2009, entre vários ataques de diversos bispos ao ateísmo, recordo o do Sr. bispo Carlos Azevedo, contra a AAP e o seu presidente, em 2 de Junho, no Correio da Manhã. Escusado será dizer que não foi permitida a defesa, apesar de reiteradamente solicitada, e os ataques parecem ser uma tentativa deses-perada de fazerem do ateísmo o bode expiatório de uma Igreja de onde desertam os padres e fogem os crentes.

Deixo agora de parte a cruzada violenta contra os casamento homossexuais quando seria fácil aconse-lhar os adversários a não se casarem com pessoas do mesmo sexo.

Usando poderosos meios de propaganda e a complacência da televisão pública para com a ICAR, pôde o Sr. Cardeal difundir a sua Mensagem de Natal e divulgar a homilia da missa de Natal em que não se coibiu de atacar os «inimigos», assim considerados todos os que não partilham as suas crenças.

Estranha-se a veemência com que na referida homilia arremeteu contra os agnósticos e, sobretudo, contra os ateus, como se ser ateu ou agnóstico mereça censura, sobretudo de um cardeal.

Os ateus revêem-se na Declaração Universal dos Direitos do Homem e na Constituição da República Portuguesa e, defendendo a liberdade sem privilégios defenderão qualquer religião que, eventualmente, venha a ser perseguida por religiões rivais ou por algum Estado ateu que possa surgir, tão perverso como os confessionais.

Apesar das profundas divergências que separam os ateus do cardeal, pensando os ateus que foram os homens que criaram Deus e o Sr. Cardeal o contrário, os ateus defenderão a liberdade, a democracia, o livre-pensamento e a ciência, contra o obscurantismo, a mentira, o medo e o pensamento único. Serão sempre contra a xenofobia, o racismo, o anti-semitismo e qualquer forma de violência ou de discrimi-nação por questões de raça, religião, nacionalidade ou sexo. O que não acontece com a ICAR.

 
← Older Comments
  • Baal

    “O próprio Lenine repetente incessantemente: “tão importante como o triunfo da revolução é destruir todas e qualquer forma de alienação religiosa, reprimindo-a e eliminando-a”

    A isso podias juntar a justificação teórica e a prática da violência e do terror pelos lºideres comunistas ateus para comprovar que esse eliminar era MESMO eliminar.

    Cito aqui Leon Trotskie, criador do exército vermelho, braço direito de lenine na revolução e consequente consolidação da ditadura soviética.

    “But terror can be very efficient against a reactionary class which does not want to leave the scene of operations. Intimidation is a powerful weapon of policy, both internationally and internally. War, like revolution, is founded upon intimidation. A victorious war, generally speaking, destroys only an insignificant part of the conquered army, intimidating the remainder and breaking their will. The revolution works in the same way: it kills individuals, and intimidates thousands. In this sense, the Red Terror is not distinguishable from the armed insurrection, the direct continuation of which it represents. The State terror of a revolutionary class can be condemned “morally” only by a man who, as a principle, rejects (in words) every form of violence whatsoever – consequently, every war and every rising. For this one has to be merely and simply a hypocritical Quaker.”

    Leon Trotskie.

    Terrorism and comunism.

    Mais explicícito não podia ser…

    “Se a questão é: Todos os comunas são anti-religiosos?

    A resposta é: obviamente, não!”

    Existem muitos comunas que até são religiosos. a teologia da libertação tem muitos.

    Mas essa é UMA corrente interpretativa do marxismo. A corrente dominante levou a teoria do materilismo anti-religioso bastante a sério quer no campo teórico como prático.

    A perseguição á religião quer nos campos de concentração do Gulag quer no Cambodja e outros, obedeceu ao imperativo ideológico da eliminação da religião e IPSO FACTO a imposição, pela força, do ateísmo.

    O texto de lenine que citaste é um bom exemplo.

← Older Comments

Arquivo Histórico

Colaboradores

  • Abraão Loureiro
  • Associação Ateísta Portuguesa
  • Carlos Esperança
  • Eduardo Costa Dias
  • Eduardo Patriota
  • Fernando Fernandes
  • João Vasco Gama
  • José Moreira
  • Ludwig Krippahl
  • Luís Grave Rodrigues
  • Onofre Varela
  • Palmira F. Silva
  • Raul Pereira
  • Ricardo Alves
  • Ricardo Pinho
  • Ricardo S Carvalho

Visitas

Diário

Dezembro 2009
D S T Q Q S S
« Nov   Jan »
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  

Top Commenters

Administração

  • Iniciar sessão
  • RSS dos artigos
  • Feed RSS dos comentários.
  • WordPress.org

#ateismo

Canal #ateismo no IRC.

Use o mIRC ou o ChatZilla para aceder.



©2012 Diário Ateísta
Concebido na plataforma WordPress sobre tema desenvolvido por Graph Paper Press.