Nazismo – um regime sem deus?
18 de Maio de 2009 | Escrito por Carlos Esperança | Publicado em Não categorizado | 16 Comentários
Ao despedir-se de Israel, referindo-se ao Holocausto, …[Bento XVI] denunciou que aqueles mortos foram “brutalmente exterminados” por um “regime sem Deus”.
Apesar de ter colaborado com o nazismo e de não desistir da canonização de Pio XII – o Papa de Hitler –, o actual pontífice procura atribuir ao ateísmo a vocação totalitária que é a sua. Nem lhe ocorre que o Vaticano é filho de Mussolini, que este déspota tornou o ensino da religião católica obrigatório nas escolas do Estado fascista de Itália, de acordo com a Concordata e a vontade de Pio XI que descreveu Il Duce como «um homem enviado pela providência», um biltre que usou gás venenoso na Abissínia sob o pretexto de que os seus habitantes persistiam na heresia do monofisismo, um dogma incorrecto da Encarnação condenado pelo Concílio de Calcédon… em 451.
O golpe de extrema-direita na Hungria, liderado pelo almirante Horthy, foi apoiado calorosamente pala ICAR bem com os movimentos fascistas semelhantes da Eslováquia e da Áustria. O regime nazi da Eslováquia (ateu?) era liderado por um padre… Tiso. Curiosamente nunca o nazismo (ao contrário do comunismo) foi excomungado nem o livro de Hitler «A minha luta» foi posto no Índex, ao contrário do que sucedeu a todos os livros considerados contrários aos ensinamentos da Igreja católica.
Bento XVI sabe que o Vaticano foi aliado incondicional dos regimes fascistas de Portugal, Espanha e Croácia cuja implantação contou com o apoio activo do seu clero. O general Franco foi autorizado a dar o nome honorífico de «a Cruzada» à sua invasão de Espanha e ao derrube da república eleita.
Este Papa não se caracteriza pelo amor à verdade, mais dado a certificar milagres como o da cura do olho esquerdo de D. Guilhermina de Jesus ou a canonizar, talvez por lapso, um torcionário espanhol incluído entre centenas de mártires, todos franquistas, embora houvesse católicos na defesa da República cuja legitimidade o clero desprezou.
O Papa tem o direito de abominar os ateus, sem mentir. Nenhuma outra Igreja levou tão longe a sedução por Hitler, ao ponto de a hierarquia ordenar uma celebração anual em honra do seu aniversário, em 20 de Abril. E o cardeal de Berlim transmitia regularmente ao Fuhrer as maiores felicitações em nome dos bispos e das dioceses da Alemanha.
Por curiosa coincidência, Bento XVI celebrou a sua primeira missa, como papa, em 20 de Abril.
Fonte: deus não é Grande, de Christopher Hitchens.
Maio 18th, 2009 at 10:11 (#)
Carlos…. ainda bem que Pavelic não tinha o mesmo poderio bélico de Hitler…senão…..
Maio 18th, 2009 at 12:55 (#)
http://anticlerical.multiply.com/photos
Maio 18th, 2009 at 13:12 (#)
Porque é que as enciclicas Mit brennender Sorge e Non abbiamo bisogno são sempre ignoradas neste blog quando vem à baila o assunto da Igreja e no Nazismo?
Maio 18th, 2009 at 15:23 (#)
Os membros da icar, souberam sempre adaptar-se ás situações, como os camaleões,
se adaptam ao meio ambiente.
Maio 18th, 2009 at 16:30 (#)
e pq você ignora isto?? http://anticlerical.multiply.com/photos
Ah.. sobre estas encíclicas…. a encíclica “anti-Mussolini” é na verdade uma pequena divergência com o Duce por causa da questão educacional, pois o catolicismo e fascismo competiam nas salas de aula…. E você não cita que o papa condecorou o Duce com a Ordem da Espora de Ouro, a + alta distinção concecida pela ICAR. E a encíclica “anti-Hitler”. a exemplo da anterior, também era 1 pequena divergência com o Führer. Também abordava a questão educacional e o paganismo praticado por alguns nazis. Nada mais…. Engraçado… Nunca soube de enclícicas contra os ditadores de Portugal,Espanha,Austria,Croacia,Hungria etc.
Tambem nunca soube de punição aos padres que colaboraram com o nazifascismo (alguns destes padres eram assassinos).
Tambem não vejo você falando da ODESSA e Ratlines…(igreja ajudou varios nazis a fugirem da Europa).
Maio 18th, 2009 at 16:35 (#)
exato… 1 exemplo disso foi no caso Perón (Argentina). Perón e a igreja tinha otimas relações… mas depois começaram a se esfacelar a partir de 1952;..53
Peron resolveu reduzir o clericalismo e tornar o governo laico. Resultado: Peron caiu em 1955, graças a 1 golpe de estado(os golpistas tinham forte ligação com o clero).
Outro caso notório foi no Peru. o cardeal(opus dei) Cipriani era o “Cerejeira” de Fujimori, mas o mesmo se afastou de Fuji quando este caiu em desgraça.
Maio 18th, 2009 at 17:07 (#)
Marco Oliveira.
Mit brennender Sorge, «com profunda preocupação». É apresentada muitas vezes erradamente, como a prova de antipatia da Igreja, de Pacelli ou de Pio Xl relativamente aos nazis ou como uma condenação radical ao nazismo.
Na verdade a encíclica protestava numa linguagem clara e sonante, contra violações da Concordata, em especial contra o tratamento da religião na Alemanha. A encíclica não era uma condenação ao nazismo em si mesmo. Não menciona uma única vez o nazismo pelo nome.
Deixou incisivamente claro que as suas objecções giravam em torno do estreito mas importante «antagonismo sistemático surgido entre educação nacional e dever religioso». A encíclica procurava efectivamente dar a conhecer o facto o regime colocar a raça acima dos mandamentos universais da religião. Numa encíclica dessas, um amigo dos judeus ou pelo menos um não anti-semita, teria condenado a perseguição intensiva aos judeus. Pacelli não o fez.
Defendeu o antigo testamento das acusações nazis de ser um livro anti-judaico, mas expressou a explicação da encíclica em termos explicitamente anti-semitas, apresentando-o como um livro que «revela a história do povo eleito, afastando-se repetidamente de deus…livro que revela o plano salvador que finalmente triunfa sobre todo o erro e pecado».
A afirmação gratuita de Pacelli dos judeus «afastando-se de deus» só podia reforçar o anti-semitismo prevalecente entre os alemães numa altura em que os judeus estavam sujeitos a uma perseguição feroz, Pacelli fez questão de lembrar aos Alemães «o povo que viria a crucificar» Jesus, referindo-se aos judeus colectivamente como «algozes de Jesus». Para garantir a máxima divulgação e efeito sobre a prática religiosa desta encíclica ( o que mostra bem o quão pouco Pacelli temia criticar publicamente as práticas do regime), foi lida em todos os púlpitos alemães no domingo de ramos.
Maio 18th, 2009 at 18:17 (#)
existe 1 erro crasso quando se aborda o nazismo… só se fala dos judeus como vitimas deles…
ninguém fala dos ciganos,gays,deficientes, opositores…. mortos pelos nazis…
Maio 18th, 2009 at 18:46 (#)
Anti-clerical perfeitamente de acordo, mas contudo o que sobressai mais neste
processo hediondo, é o judaísmo, porque na finalidade é uma religião concorrente do catolicismo, e isso até é conveniente a icar.
Maio 18th, 2009 at 19:41 (#)
bom.. há contravérsias… pq existiam alguns judeus nas SS. o Reinhard tinha sangue judeu… a exemplo de Eichmann. O filósofo do NSDAP… Alfred Rosenberg tinha sangue judeu… a esposa de Goebbels era judia.
Não nego que houve judeus perseguidos. mas foi revelado que sionistas que nem Stern ajudaram Hitler.
1 religião concorrente que a igreja lutou pra destruir foi a ortodoxia. Basta ver o caso Ustasha.
Maio 19th, 2009 at 07:41 (#)
Não são ignoradas. São textos inóculos que de modo algum beliscam os fascismos referidos. Banalidades que se podem dizer sempre em qualquer circunstância.
José Simões
Maio 19th, 2009 at 09:57 (#)
engraçado ke nunca ouvi falar de encíclicas “criticando” Salazar,Franco,Tiso,Pavelic,Dolfuss,Horthy,Ngo Dinh Diem,Videla,Pinochet,Somoza…..
Maio 19th, 2009 at 14:24 (#)
Podem, se faz favor, apresentar os textos ou pessoas ateias que condenaram veemente, ao tempo, os regimes fascistas que citam?
Maio 20th, 2009 at 04:51 (#)
[...] Nazismo – um regime sem deus ? Via: Diário Ateísta [...]
Maio 20th, 2009 at 11:13 (#)
Demoraria algum tempo a fazer essa lista (não disponho de monges com pouco para fazer), mas para já fica um nome Albert Einstein.
José Simões
Maio 20th, 2009 at 15:13 (#)
Demoraria algum tempo a fazer essa lista (não disponho de monges com pouco para fazer), mas para já fica um nome Albert Einstein.
José Simões