Os prosélitos da fé
28 de Julho de 2006 | Escrito por Carlos Esperança | Publicado em Não categorizado | 2 Comentários
No pântano da fé germinam com fulgor os fundamentalismos. À medida que Deus se esvai pela rede de saneamento do secularismo, uivam de raiva os crentes que sobram, ganem latim os padres que sobrevivem e ululam imprecações os bispos reunidos nos covis das Conferências episcopais.
Do antro do Vaticano, de sapatinhos vermelhos e camauro, o líder da seita ameaça as democracias e roda o vestidinho, de má catadura, vociferando contra a investigação de células estaminais, a interrupção da gravidez, o preservativo e a pílula do dia seguinte.
Com larga experiência de celibato, o clero dá conselhos sobre a família; com séculos de repressão sexual determina a frequência, duração e intensidade das relações amorosas e decide sobre a finalidade das mesmas; habituado à indissolubilidade do celibato deseja estender a regra ao matrimónio.
Os parasitas de Deus vêem fugir-lhes o poder que já tiveram e têm ciúme dos dementes que julgam que Deus é grande e Maomé o seu profeta, pelo poder que conservam. A Al-qaeda está para os sunitas como o Hezbollah para os xiitas ou o Opus Dei para a ICAR. Só os métodos diferem de acordo com as sociedades onde se acoitam.
Os apaniguados da hóstia, crentes supersticiosos e tartufos em busca de benefícios que a ICAR confere, percorrem o ciberespaço à procura de réprobos a quem zurzir. Infiltram-se nas caixas de comentários, como as beatas outrora na sacristia, grunhem impropérios, crocitam e palram ameaças.
Tal como na Inquisição, para denunciar judeus, bruxas e sodomitas, usam o anonimato como prova da coragem que Deus lhes dá ou vergonha da religião que têm.
Os beatos esquecem-se de que, há séculos, Deus deixou de se transformar em cometa e viajar pelos céus para anunciar catástrofes, intimidar os simples e dar força aos padres.
Hoje, as catástrofes, cada vez mais perigosas e iminentes, são provocadas pela demência mística dos homens, na luta contra os infiéis, no desvario de quem pretende o Paraíso e quer levar consigo, à arreata, ateus de pituitária alérgica ao incenso e pele avessa à água benta.
Julho 30th, 2006 at 02:11 (#)
O ateu, quando é burro, zurra asneiras em todas as direcções, tem uma mundividência pobre e subdesenvolvida, não percebe em que tempo vivemos e aposta em ser um fóssil das velhas vociferações.
Não tem argumentos, mas uma linguagem de esgoto, esgoto que se recusa a ver e a cheirar: fala com tanto afinco da fauna religiosa que lhe passa que quem desdenha quer comprar.
O ateísmo, para ser credível, tem de ser fundamentado, não uma miséria de zoónimos sem novidade nenhuma.
Quando se põem a teologizar ao contrário, estes putos são completamente ridículos e duma ignorância miserável!
Que equívoco do caralho esta página! Que ateísmo mais filho da puta de pobre.
Ainda vão a tempo de melhorar. Ninguém faz melhor propaganda aos religiosos que vocês.
Parabéns.
Julho 30th, 2006 at 11:42 (#)
Se o Carlos Esperança fosse colocar os seus textos nos sites religiosos, então estaria a fazer o mesmo que o Joshua faz.
Mas existe sempre uma assimetria nestas coisas, e nós ateus, já estamos habituados…