2 de Setembro de 2010 | Escrito por Carlos Esperança | 21 Comentários
Não há espaço para Deus nas teorias sobre a criação do Universo, garante o cientista Stephen Hawking
O Big Bang foi simplesmente uma consequência das leis da Física e Deus não teve nenhum papel nisso. A teoria do professor Stephen Hawking surge no seu novo livro, intitulado The Grand Design, e vai contra a posição assumida anteriormente pelo cientista britânico, que chegou a defender que a crença num Criador não era incompatível com a Ciência, num best-seller publicado em 1988.
2 de Setembro de 2010 | Escrito por Ricardo Alves | 4 Comentários
O rabino Ovadia Yosef é «líder espiritual» de um partido político israelita (o que em Israel é assumido, embora profundamente anacrónico para a Europa civilizada). Tem um longo passado de declarações controversas, que incluem dizer que «os pretos» de Nova Orleães mereceram o «tsunami»(sic) Katrina, porque não estudavam a Torá e porque Bush apoiou o desmantelamento de colonatos em Gaza. No passado, já pediu a «aniquilação» dos árabes («é proibido ter piedade deles», disse).
Esta semana, desejou publicamente a morte dos líderes palestinos. Deve ser a sua forma de contribuir para as negociações de paz e para o diálogo inter-religioso.
Haverá alguma religião abraâmica sem fanáticos instigadores da violência sectária?
2 de Setembro de 2010 | Escrito por Carlos Esperança | 12 Comentários
Bento XVI recordou esta quarta-feira, durante a audiência geral na residência de Verão, que os sacerdotes na Idade Média também cometeram “pecados”, num momento em que várias denúncias de casos de pedofilia afectam a imagem da igreja católica.
1 de Setembro de 2010 | Escrito por Ludwig Krippahl | 23 Comentários
No novo episódio desta série, o Alfredo Dinis aborda o que diz ser o «Oitavo equívoco [do ateísmo]: a persistência do literalismo bíblico»(1). Alega que os ateus recusam «afastar-se da interpretação literal sistemática e descontextualizada» da Bíblia, «à boa maneira do fundamentalismo criacionista».
Não é verdade. Os fundamentalistas defendem que a Bíblia é a palavra literal e inerrante de Deus enquanto os ateus defendem que a Bíblia contém afirmações falsas e maus conselhos. Como, por exemplo, que o universo foi criado em seis dias ou que se deve apedrejar as crianças desobedientes. Por isso, fundamentalistas e ateus têm posições opostas acerca da Bíblia, e não semelhantes como o Alfredo sugere. Uns defendem que a Bíblia é a verdade revelada por Deus e os outros que defendem tratar-se de histórias inventadas por humanos.
A posição católica é que está no meio. Admitindo que a maior parte do que está na Bíblia não é aceitável se for lido como foi escrito, defende que ainda assim é verdade porque tem de ser “interpretado”. E aqui começam outros problemas.
Escreve o Alfredo que a interpretação literal da Bíblia é «descontextualizada», não considerando «o contexto histórico e cultural dos textos bíblicos.» Mas é a interpretação católica moderna que retira os textos bíblicos seu contexto original e os reinterpreta à luz da nossa cultura moderna. Originalmente, o Génesis foi escrito – e era lido – como um relato factual da criação do universo. E as recomendações do Deuterónimo, como apedrejar os filhos desobedientes, não eram uma mera ilustração dos costumes bárbaros de tribos primitivas. Foram escritas e lidas como representando a vontade de Deus. E foi assim durante séculos até que o progresso da ciência e da ética obrigaram muitos religiosos a rejeitar a letra da Bíblia. Mas, no contexto original, a Bíblia era para ser levada à letra como fazem os fundamentalistas.
O Alfredo Dinis explica também que se deve considerar «quatro sentidos hermenêuticos na interpretação do texto bíblico: literal, metafórico, moral e escatológico» e que devemos dar atenção «às formas literárias e às maneiras humanas de pensar presentes nos textos bíblicos». Apesar dos teólogos modernos deturparem o sentido original destes textos, concordo com a ideia em abstracto. A análise de um texto, enquanto tal, deve considerar os sentidos de interpretação, os estilos literários e essas coisas.
Mas o que está aqui em causa não é a crítica literária. O que separa crentes e ateus não são questões de estilo ou de interpretação. É saber se a Bíblia é como defendem os crentes, um veículo da revelação divina de factos e deveres, ou se é como desconfiam os ateus, opiniões e histórias escritas por humanos. E para ver se a Bíblia tem origem divina temos de testar o que lá está escrito. Para isso as hermenêuticas não ajudam. O Alfredo também não daria vinte valores a um aluno que, não tendo uma única resposta certa, lhe dissesse saber tudo da matéria mas que o seu exame devia ser interpretado e não levado à letra. Para avaliarmos se a Bíblia foi mesmo algo que Deus revelou àqueles que a escreveram temos de considerar o que está lá escrito e o contexto em que o escreveram.
As (re)interpretações modernas da Bíblia constituem uma falácia de petição de princípio. Escreve o Alfredo que a interpretação literal da Bíblia «não é possível, por exemplo, quando entra em contradição com dados provenientes da história, das ciências naturais, etc.» Mas a interpretação literal é sempre possível. Só que mostra que a Bíblia não surgiu por revelação divina mas sim por especulação humana, porque a Bíblia exprime exactamente os erros e preconceitos que se esperaria ver num texto escrito por pessoas como aquelas que a escreveram. É isto que os ateus apontam.
Quando o Alfredo diz que essa interpretação literal “não é possível” porque contradiz os factos está a assumir, implicitamente, que é impossível a Bíblia conter falsidades. Mas é precisamente essa premissa que está em causa. A reinterpretação que a teologia moderna faz da Bíblia surge de assumir como premissa aquilo que só faria sentido como conclusão: que a Bíblia é a palavra inerrante de Deus.
A teologia diz que a Bíblia deve ser sempre interpretada de forma a não contradizer o que sabemos. O reverso da medalha é que, com esta restrição, a Bíblia nunca nos pode dar qualquer novidade testável. Ou a interpretamos pelo que julgamos saber ou especulamos que nos diz coisas cuja verdade nunca poderemos determinar. Isto protege a teologia de qualquer refutação mas torna-a numa mera mancha de Rorschach que só mostra o que lá imaginamos ver. E isto acaba por dar razão aos ateus. A religião não é uma revelação divina de verdades profundas. É apenas uma ilusão criada por humanos.
1- Alfredo Dinis, Grandes equívocos do ateísmo contemporâneo
Em simultâneo no Que Treta!
1 de Setembro de 2010 | Escrito por Luís Grave Rodrigues | 21 Comentários
«Uma semana antes dos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001, estive num debate com Dennis Prager, que é uma das mais conhecidas personalidades religiosas da televisão na América.
Ele desafiou-me publicamente a responder ao que chamou «uma pergunta de sim ou não» e eu concordei de boa vontade.
- Muito bem, declarou ele: eu devia imaginar-me ao anoitecer numa cidade desconhecida; devia imaginar que via um grande grupo de homens a aproximar-se de mim. Agora – sentir-me-ia mais seguro, ou menos seguro, se soubesse que estavam apenas a voltar de um encontro de oração?
Como o leitor perceberá, esta pergunta não pode ser respondida com um sim ou um não.
Mas eu respondi como se não fosse hipotética:
- Para me manter apenas na letra “B”, já tive essa experiência em Belfast, Beirute, Bombaim, Belgrado, Belém e Bagdad. Em todos os casos posso dizer com certeza, e apresentar razões para a minha resposta, porque é que me sentiria imediatamente ameaçado se pensasse que o grupo de homens que se aproximava de mim ao anoitecer vinha de uma cerimónia religiosa».
- Christopher Hitchens
1 de Setembro de 2010 | Escrito por Carlos Esperança | 32 Comentários
O Governo francês considerou ontem, terça-feira, como “inaceitáveis” os insultos de certos meios de comunicação social iranianos contra Carla Bruni (na foto), mulher do presidente francês, Nicolas Sarkozy, informando que foi enviada “uma mensagem” a Teerão sobre o assunto.
Nota: Os trogloditas de Maomé odeiam a sensualidade, a beleza e a liberdade.
31 de Agosto de 2010 | Escrito por Carlos Esperança | 25 Comentários
Se a alva e meiga Senhora que, há cerca de noventa e três anos, poisou numa azinheira, vestida com um manto de luz, para gáudio de três inocentes pastorinhos, por erro de navegação celeste houvesse poisado numa azinheira errada e encontrado um só pastor, mancebo de vinte e tantos anos; se a falta de energia lhe tivesse apagado o manto, sendo a beleza tanta quanto dela disseram as criancinhas, e entre o manto e o corpo nada houvesse, como é de crer, por ser a luz que resplandecia o único vestido que a cobria, poderia o dito pastor chamar-se José, como o humilde e humilhado carpinteiro de Nazaré, e a história seria outra.
Se o dito pastor, mancebo de vinte e tantos anos, na flor da idade e do desejo, impelido pelos sentidos, fosse tão rápido e eficaz a tomar a dita Senhora como o era a conduzir o rebanho, não seria o papa, muitos anos depois, a entrar em êxtase; seria ele, pastor, ali e então.
E, em vez de serem criancinhas a ouvir “eu sou a Nossa Senhora”, pitoresca apresentação que só ouvi a um Sargento, apresentando-se aos soldados, “eu sou o nosso primeiro Vieira”, em vez dessa apresentação que os exegetas atribuem à Virgem Maria, teria ouvido o pastor, mancebo de vinte e tantos anos, mais afeito ao rebanho do que ao corpo feminino, à guisa de apresentação e despedida, com voz lânguida e conformada, eu sou Maria.
Tudo leva a crer que a referida Senhora, de tão rara beleza, teria esquecido a conversão da Rússia, poupado o dito pastor à oração e, em vez de duas ou três aparições, poderia tentar outras, sabendo embora que não era a azinheira certa aquela em que poisava, mas adivinhando à sua sombra o pastor, mancebo de vinte e tantos anos.
Diz-me um amigo que o País devia duplicar o número de azinheiras para igualmente duplicar as probabilidades de novas aparições. Tenho a esse respeito opinião diferente, tese igualmente respeitável, embora nestas questões pouco valha a dialéctica, impossível que é formular a antítese, pois a ciência certa nunca a teremos. Penso que o caminho, o caminho correcto, está em duplicar o número de crianças que prefiram à escola a oração e se dediquem à pastorícia, de preferência longe dali, que os milagres raramente se repetem perto, e se acontecem, como há sobejas provas na Ladeira e noutros sítios, nunca são reconhecidos, por se desconfiar da abundância e se temer a concorrência.
E se no futuro apenas houver pastores crianças, com joelhos no chão e olhos no Céu, nunca mais haverá qualquer pastor na flor da idade e do desejo, mancebo de vinte e tantos anos, a ofender a virtude e a mudar o sítio às azinheiras, a perturbar a circulação celeste e os milagres.
30 de Agosto de 2010 | Escrito por Carlos Esperança | 15 Comentários
( Crónica a partir da tradição popular, modificada.)
Naquele tempo, em Magdala, na antiga Palestina, uma multidão preparava-se para apedrejar Maria sobre quem recaía a acusação de ser pecadora. Fora um boato posto a correr, talvez por um corcunda da tribo de Manassé, ressentido por se ter visto recusado, que a sujeitara àquele veredicto popular de que não cabia recurso. O princípio do contraditório ainda não tinha sido criado nem era hábito ouvir o acusado, principalmente sendo mulher, nem a absolvição estava enraizada nos hábitos locais. A lapidação de Maria tinha transitado em julgado.
A lapidação era, aliás, um divertimento muito em voga, que deixava excitados os autóctones que habitavam as margens do rio Jordão que atravessava o Lago Tiberíade a caminho do mar Morto. Diga-se, de passagem, que esse desporto ainda hoje é muito popular em numerosos países, para imenso gáudio das multidões, e não faltam adeptos um pouco por toda a parte.
Aconteceu que andando o Senhor Jesus a predicar por aquelas bandas, depois de indagar o que se passava, aproveitou a multidão para se lhe dirigir, e disse:
- Aquele de vós que nunca errou que atire a primeira pedra.
O nazareno tinha créditos firmados com vários milagres e até a cura de um leproso lhe era atribuída entre os galileus. Falava-se mesmo, com rancor entre os fariseus, que teria ressuscitado um morto de nome Lázaro. Vários independentes já lhe tinham manifestado apoio, como sucede sempre que o poder está em vias de mudança.
Todos pareceram hesitar. Muitos deixaram cair as pedras com que se tinham municiado. Havia mesmo alguma crispação nos que vieram de longe, com sacrifício, e um certo desapontamento de todos os que esperavam divertir-se. Só o Senhor Jesus continuava sereno, a medir o alcance das sua palavras. Mas, eis que da multidão se ergueu um braço e Maria de Magdala caiu derrubada por uma pedrada certeira.
Enquanto algumas pessoas a reanimavam, na esperança de repor o espectáculo que tão depressa se esgotara, o Senhor Jesus foi junto do atirador e disse-lhe:
- Então tu, meu filho, nunca erraste?
- Senhor, a esta distância, nunca.
30 de Agosto de 2010 | Escrito por Carlos Esperança | 3 Comentários
Fitas publicadas em dois jornais belgas mostram um ex-cardeal católico pedindo que uma vítima não revele que sofreu abuso sexual por um bispo, aumentando a polémica em torno dos escândalos sexuais dentro da Igreja.
As gravações feitas de forma secreta pela vítima trazem o ex-cardeal Godfried Danneels, antigo líder da Igreja na Bélgica, pedindo para uma vítima que aceite um pedido de desculpas em particular ou espere um ano para que o bispo se aposente antes de tornar o caso público.
Hawking exclui Deus da criação do Universo Não há espaço para Deus nas teorias sobre a criação do Universo, garante o cientista Stephen Hawking O Big Bang foi simplesmente uma consequência das leis da Física e Deus não teve nenhum papel nisso. A teoria do professor Stephen Hawking surge no seu novo livro, intitulado The [...]
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Bento XVI recorda “pecados” dos sacerdotes da Idade Média Bento XVI recordou esta quarta-feira, durante a audiência geral na residência de Verão, que os sacerdotes na Idade Média também cometeram “pecados”, num momento em que várias denúncias de casos de pedofilia afectam a imagem da igreja católica.
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O Governo francês considerou ontem, terça-feira, como “inaceitáveis” os insultos de certos meios de comunicação social iranianos contra Carla Bruni (na foto), mulher do presidente francês, Nicolas Sarkozy, informando que foi enviada “uma mensagem” a Teerão sobre o assunto. Nota: Os trogloditas de Maomé odeiam a sensualidade, a beleza e a liberdade.
Fundado no ano 2000, o ateismo.net foi o sítio web criado para juntar uma comunidade de ateus e ateias portugueses para a formação do que veio a ser a Associação Ateísta Portuguesa. O ateismo.net deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogs portugueses, hoje um espaço privado de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos aqui publicados são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da AAP.